Internet leva aos dados. Ok.Dados levam à informação. Ok.Informação leva ao conteúdo. Ok.Conteúdo leva ao esclarecimento. Ops.
Desde que escrevemos o primeiro “www” (alguns com 8 anos, outros com 80), já desejávamos que nossos pensamentos fossem multiplicados, comentados e – por que não - esclarecidos na rede.
Obedientes e acelerados, entupimos a rede com o máximo de informação que nossos dedos (e cabeça) eram capazes de produzir. Mas o que deveria estimular o progresso das sociedades, por meio da organização frenética do conhecimento, parece não fazer sentido para um cara chamado Robert Proctor.
Robert é historiador em Stanford e declarou, na matéria Manufacturing Confusion, para a revista Wired, que o surgimento de muita informação resulta em um entendimento reverso. Como ele mesmo diz, “a ignorância aumenta”.
De acordo com o historiador, uma sociedade se confunde porque interesses específicos trabalham duro para criar essa confusão. Enquanto grupos anti-Obama gastavam milhões insistindo que o novo presidente era muçulmano, a indústria automotiva plantava dúvida sobre as causas reais do aquecimento global. Para Robert, no fim dessa briga por argumentos, a sociedade acaba com um sério problema nas mãos: saber menos do que sabia antes.
O que fazer? Arrancar os fios da tomada? Viver em uma montanha? Para Robert nem tudo está perdido. Se fomos capazes de viver a revolução da informação, saberemos como contra-atacar. E isto pode ser feito por meio de sistemas que encorajem o conhecimento através do consenso (Wikipedia?) ou por uma cultura de combate na Internet que se comprometa em comprovar a veracidade das informações discutidas.
Não é preciso dizer que as ideias de Robert Proctor não são digeridas com facilidade. Vários comentários sobre o artigo rolaram na Internet (democracia digital, lembra?) questionando os métodos e pensamentos do historiador.
Mais feliz é o autor da matéria, Clive Thompson, que se inspira no livro “True Enough: Learning to Live in a Post-Fact Society” para mandar o recado:
“Se você discute sobre o que determinado fato representa, vira um debate. Se você discute sobre o que determinado fato é, vira ignorância.”
Neste ponto, não há o que discutir.
Para ler a matéria completa na Wired, clique aqui.
A junção mídia/imparcialidade é um dos maiores paradoxos do nosso tempo.
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